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Pité Lauriano Manchineri - Autor |
Certo
dia, esse homem foi a casa dessa família, pedir a mão da filha mais velha ao
pai, e ele a entregou. Após três dias, o homem levou a filha mais velha para
sua casa. Depois de três dias que estavam lá, o rapaz fala para a sua mulher
que vai caçar.
Ao retornar
da caçada, traz muita caça em suas costas, após colocar os animais na cozinha,
ele chama sua esposa para tratar os animais, e pede para que ela prepare a
carne toda assada. Após comer toda carne assada, ele chama sua esposa e a mata
para complementar sua refeição, deixando somente a cabeça, este a coloca
embaixo de uma arvore de Sumaúma.
No
dia seguinte, bem cedo, o rapaz foi atrás do seu sogro para avisá-lo que sua
filha havia desaparecida no dia anterior, quando ele estava na mata. Próximo a
casa de seu sogro, começou a chorar bem forte para que o sogro não desconfie
dele.
Uma
das irmãs da finada ouviu um choro que vinha da direção do caminho e avisou ao
pai, que foi encontrá-lo. O rapaz contou para o sogro que a sua filha tinha
desaparecida. “Ontem fui caçar e acho que a onça matou a minha mulher!” Ao
receberem esta notícia, a família toda ficou muito entristecida.
Passado
alguns dias, o rapaz começou a namorar a segunda filha. Ele ficou na casa da
família da mulher, ia caçar e trazia muitas caças para comerem. Durante os dias
que o rapaz estava com eles, comia bem pouquinho, foi por isso que ninguém
percebeu como ele era. Daí pediu a segunda filha em casamento e o pai aceitou
novamente. Igualmente, passou poucos dias na casa do seu sogro, levou sua nova
mulher para o mesmo lugar onde ele matou a primeira filha. Dizem que o sogro deu-lhe
conselho para ele não a deixar sozinha, tudo foi combinado.
Chegaram
lá e foi à mesma coisa, ele inventou de caçar e quando voltou, matou de novo a
sua mulher e a comeu.
Ele
fez a mesma coisa, voltou para casa de seu sogro fazendo como aconteceu com a
primeira e a segunda: ficou de novo uns dias namorou a terceira filha.
Igualmente a levou e a matou como fez com as outras filhas. Voltou para a casa
do sogro.
O
velho ficou só com uma filha, que era a sua caçula. O homem a namorou e a
levou, como levou as outras. Só que esta era mais esperta. Quando ela chegou
nesse lugar, ficou um pouco desconfiada.
Antes
de o homem ir caçar, falou para ela não sair de casa porque ali era um lugar
onde suas irmãs desapareceram. Disse que tinha uma árvore de sumaúmas bem
grande mais ou menos, a uma distância de 50 metros, que não era para a moça
sair para nenhum lugar e nem se aproximar daquela árvore.
Quando
passaram poucos minutos que ele sumiu, chegou a coragem da menina. Ela disse:
“Por que será que ele me proibiu de sair para canto algum?” Levantou-se e foi
embora espiar a árvore de samaúma.
Quando
foi mais para trás viu três cabeças podres com todo o cabelo.
Daí
ela voltou, quando chegou à barraca pensou muitas coisas. Quis fugir! Mas
depois ela disse: “Não, Vou esperar até ele chegar!”.
Ela
subiu numa árvore que havia bem próximo da casa. Com pouco tempo o cara chegou
carregado, trazendo todo tipo de bichos da mata. Começou a chamá-la. Chamou,
chamou e chamou até que ele cansou. Começou a preparar a comida. Foi assando e
comendo, até que acabou tudo.
Então,
começa a chamá-la novamente. Quando ela estava para responder. Ele falou: “Ah,
você adivinhou que eu ia te matar e te comer?! Igualmente como fiz com tuas
irmãs!” Ele não tinha mais nada de carne para comer. Dizem que ele pegou na sua
barriga: “Aqui está ainda mole!” A mulher estava escutando tudo que ele falava.
De repente o homem diz: “será que a minha própria carne também é boa?” Pegou a
faca e começou a cortar a carne de sua perna esquerda, botou fogo e comeu bem
rapidinho. Continuou, cortou o outro lado da carne de sua perna e quando tentou
caminhar, ele disse: “Ah! Ainda posso andar!” Daí cortou mais de sua carne,
tentou andar e não podia mais ficar em pé. Quando a mulher viu que ele não
podia mais andar, desceu da árvore e disse para ele: “Agora você me paga! Foi
você mesmo que tinha matado as minhas irmãs”. Naquela hora, quando viu a sua
mulher, ele falou: “Oh, minha mulher! Tenha compaixão de mim. Já estou desse
jeito, me ajude!”.
A
mulher foi buscar um maço de pilão e abarcou na cabeça dele e ele morreu. Após matar
o marido ela foi embora para a casa de seus pais. Quando estava bem pertinho de
chegar, começou a chorar de saudades das suas irmãs.
Quando
os pais ouviram o choro de novo, disseram: “Agora estamos sem filha!” Quando
apareceu a sua filha, perguntaram o que tinha acontecido com ela. Depois de
poucos minutos, ela contou que tinha achado as cabeças das suas irmãs, que não
foi a onça que as matou, foi o marido delas que as tinha comido. Ela contou
para os seus pais. O pai perguntou onde ele estava, e ela: “Eu já o deixei
morto”. O pai mandou seus filhos, que eram casados e moravam em outro lugar,
ver o homem. E após três dias foram olhar o corpo que já estava em decomposição.
Pegaram
o corpo e enterrarão em seu quintal. Três meses depois que aconteceu tudo isso,
quando foram passando por esse mesmo lugar, viram que na sepultura, havia nascido
algumas plantas: dos testículos nasceu o inhame; do dedo da mão nasceu cana; da
barba nasceu murmuru; do dedo do pé nasceu pupunha; da tripa nasceu cipó e das outras
partes do corpo brotaram muitos tipos de plantas comestíveis e medicinais.
Esta
é a história que o povo Manchineri conta de como surgiram alguns legumes e
ervas da mata.
Jaime
Llullu Sebastião Prischico Manchineri